quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Feedback da palestra do Hermógenes: Bala!

Um senhor de 86 anos, totalmente entregue à sabedoria da yoga, mais parecia um garoto apaixonado.Um sábio, não porque domina conhecimento intelectual a respeito de um assunto, mas também por demonstrar um grande senso de humor e dominar a arte de não se levar nem um pouco a sério... Um cara que segundo o índio Don Juan Matus aprendeu a “perder sua auto-importância”...
Este foi o Hermógenes que chegou à palestra no dia 15 de agosto de 2008.
Chegou conduzido por um de seus alunos que gentilmente lhe cedia o braço. Sentou numa poltrona, colocada à frente de uma enorme imagem de um GANESHA.
Bela ironia, o Ganesh é um Deus Criança adorado na Índia. E lá estava aquele senhor-menino sentado à frente do Ganesha falando sobre os benefícios da yoga em meio a algumas deliciosas piadas!
Isso mesmo: ele adora contar piadas. Mais um indício de que, apesar de ter escrito uma pá de livros sobre o assunto, aquela alma jovial se conserva na simplicidade e em uma das palavras mais lindas comentadas muitas vezes naquele Satsanga: DEVOÇÃO!
Foi naquele encontro que comecei a admirar e amar profundamente Hanuman, o devoto, o servidor.
Hermógenes falou de sua intenção de servir e do que a yoga tinha feito na sua vida. Um militar na época , de trinta e poucos anos acometido por uma tuberculose, que passou a praticar yoga no banheiro de casa, já que ninguém sabia o que era yoga naqueles anos, inclusive o médico hehehehe e de como ela o ajudou a encontrar a cura.
Falou de como começou, a partir de então, querer ensinar, informar as pessoas do poder da yoga. Falava do que o moveu para que se tornasse professor, escritor e eterno aluno, como ele mesmo se coloca. Um cara totalmente devoto à sua causa, à sua paixão, ao servir.
Falou do maior desejo do ser humano: Liberdade. Falou da normose, e da “coisa” (ver o livro “Yoga para nervosos”).... Mas enfim, nem vou falar de tudo por que daí perde a graça heheheh vale a pena procurar alguns de seus livros, nos quais não está presente apenas yoga, mas sim ensinamentos, poesias (SIM, ISSO MESMO, POESIAS!), muitas dicas e reflexões sobre como obter mais saúde e equlíbrio em nossas vidas.
Contou histórias, a maioria delas engraçadas... todo povo de boca aberta, admirando aquele ser humano, aquele cara de 86 anos, muito feliz de estar ali, reunido como algumas pessoas e falando com simplicidade de sua querida yoga. Eita disposição!!!
Eita devoção e amor à causa de servir! Adorei!!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

OLIMPÍADAS BEIJING - TUDO EM NOME DA BELEZA... A Verdade que fique de fora como telespectadora

ENGODO. Francamente, primeiro a incógnita do animador de torcida chinês que após ter sofrido queda de cabeça e se machucado feio, não se teve mais notícias do cara porque o governo chinês não permite. Simples assim.
http://www.clicrbs.com.br/olimpiada2008/jsp/default.jspx?uf=1&local=1&action=noticias&id=2111986&section=Not%EDcias
Agora essa: "Menina que cantou na abertura da Olimpíada foi dublada"
Isso porque a menina que cantava realmente, não foi considerada bonita o suficiente!!! Quem quiser ver notícia aí vai o link:
http://noticias.uol.com.br/bbc/reporter/2008/08/12/ult4909u4988.jhtm
Bonito né?! que legal essa enganação toda. Aliás, nas regiões pobres das cidades chinesas é comum notar que se colocaram placas, isso mesmo, placas formando muros para que não se veja o que tem por trás. Pois é, pão circo, amigos! Muita máscara.
Só vale a pena em ver se for pelo esporte, porque a arbitrariedade do governo chinês assusta e entristece. Isso que nem vou falar do Tibet.

Outras pérolas:
"Olimpíada afugenta desempregados para mostrar Pequim "para inglês ver"

"China tenta mostrar ao mundo que dá liberdade para a imprensa"

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Ingrediente em falta hoje: Paciência

Ontem ao me despedir de um amigo num café, troquei tchaus, desejo de boa semana, e saindo da minha boca, antes que eu pudesse captar e trazer de volta, um sonoro: Paciência!
Isso mesmo desejei Paciência! Ele olhou, e penso que também achou inusitado desejar esse tipo de coisa em uma despedida. Aí eu fiquei com os meus botões..."paciência"... de onde veio essa, Patrícia? hein? hein?

Claro que a primeira coisa que me veio à mente era de que eu estava desejando isso não só pra ele, mas para nós. Deixando o tempo correr e observando meu dia hoje, entendi que era muito pra mim: Paciência...

Esta palavra não parou de retumbar na minha cabeça...Paciência, paciência... Me lembrei de um texto que escrevi, no qual relembrando um de meus livros favoritos, fazia referência ao fabuloso Machado de Assis, me identificando com ele no que diz respeito a este fantástico desafio do século XXI: a paciência...

O que escrevi há uns três anos atrás sobre a paciência hehehehe:

"Por falar em arte, não posso esquecer de mencionar uma modalidade necessária de arte, a paciência. Corrijo-me, não merece tal notoriedade essa palavra, aliás, nesse sentido Machado é magistral, acertou ele ao comparar a paciência a um asno, “ a um tempo manhoso e teimoso”. Então, revoga-se a condição de arte, estabelece-se a de “asno”, sempre empacando, frise-se."

É bom revisitar velhos escritos, porque podemos identificar neles nossas mudanças e transformações. Aliás, acho triste quando acostumamos a manter sempre o mesmo ponto de vista que na maioria das vezes nem é nosso mesmo. Não se levar muito a sério é outro dos desafios do século XXI, fecha parênteses.

Hoje não vejo como arte, nem como asno... tô mais amena com a paciência... vejo mais como um desafio. Desafio do mundo Maya: Paciência. Viver com paciência na cultura do TUDO PRONTO PARA CONSUMO não é nada fácil, não é nada ZEN. É um exercício de disciplina notar o corpo, a energia e o emocional tensos em função do amanhã, do que desejamos hoje, e do esforço para largar o "pra ontem"... disciplina da meditação, de fazer aparecer na mente aquele espaço de tempo em que eu sou capaz de escolher ficar tranquilo por me sentir integrado na existência que toma conta de mim ou de me preocupar com as contas a pagar, os livros que faltam ler, os telefonemas a dar, os prazos a cumprir, as metas a alcançar...

Desafio de perceber que posso parar o tempo e perguntar, no meio do redemoinho, o que estou buscando afinal? E desafio de me dar o tempo necessário para relembrar que a busca não tem fim, e sim de que estar aqui é a própria busca.

Paciência sem que seja confundida com resignação, apenas paciência... Paciência associada com respiração. Paciência... inspira... paciência... expira... paciência. Espera... paciência...calma... paciência...
Xiii, lá vem ela me convencendo aos poucos de torná-la companheira e não mais desafio. Resisto. Ainda falta um tempo... mas simpatizo com a idéia e peço a ela calma. Digo: Ei! peraí, Dona Paciência! Paciência comigo, por hora...

Para ela é muito simples, dá um breve aceno e sai andando, desejando uma boa semana e sussurrando bem baixinho por detrás de um sorrisinho maroto: pa..ci..ên...cia...
Nem me dei conta de que quando ela se foi trouxe pela mão meu velho conhecido e companheiro. Eu estava distraída... O silêncio chegou e sentou ao meu lado sem que o notasse. Agora estamos só nós dois... Shhhhh...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Historinha Sufi... INDICAÇÃO: Use para momentos de crise ou de êxtase...

"Vou contar uma antiga história Sufi.Um rei perguntou aos sábios da corte: “Estou fazendo um anel belíssimo para mim mesmo. Consegui um dos melhores diamantes que existe. Quero manter, escondido dentro do anel, uma mensagem que possa me auxiliar num momento de completo desespero. Terá que ser bem pequena para que possa ficar oculta sob o diamante no anel.”Todos os sábios estavam reunidos, todos grandes eruditos. Poderiam escrever grandes tratados. Mas dar ao rei uma mensagem com apenas duas ou três palavras que pudesse ajudá-lo em momentos de completo desespero... eles pensaram, procuraram em seus livros, mas nada puderam encontrar.O rei tinha um servo antigo que era quase como seu pai – ele já tinha servido também a seu pai. A mãe do rei havia morrido cedo e esse servo cuidou dele, assim ele não era tratado como um empregado. O rei tinha imenso respeito por ele. O velho disse, “Não sou um sábio, culto, conhecedor de muitos assuntos, mas sei qual é a mensagem, pois só existe uma mensagem. E estas pessoas não podem dá-la a você. Ela só pode ser dada por um místico, por um homem que tenha realizado a si mesmo.”Em minha longa vida no palácio, encontrei todo tipo de pessoas, e uma vez, um místico. Ele também era um hóspede de seu pai e fui colocado para servi-lo. Quando ele estava para partir, como um gesto de agradecimento por todos os meus serviços ele me deu essa mensagem” e a escreveu num pedacinho de papel, depois dobrou o papel e disse ao rei, “Não leia agora, apenas a mantenha escondida no anel. Só leia esta mensagem quando tudo mais tiver falhado, quando não houver mais saída.E essa hora não demorou a chegar. O país foi invadido e o rei perdeu seu reino. Ele estava fugindo em seu cavalo para salvar sua vida e os cavalos dos inimigos o estavam seguindo. Ele estava sozinho, e eles eram muitos. Depois ele chegou a um ponto onde a estrada acabava, num lugar sem saída, só havia um despenhadeiro. Cair dali seria o fim. Ele não podia retornar, o inimigo estava ali e ele podia ouvir o som dos cavalos se aproximando. Não podia avançar, não havia saída...Então, lembrou-se do anel. Ele o abriu, tirou o papel, e havia uma pequena mensagem de enorme valor: simplesmente dizia, “Isso também irá passar. Um grande silêncio recaiu sobre ele enquanto lia a frase: isso também irá passar. E passou. Tudo passa, nada permanece eternamente nesse mundo. Os inimigos que o seguiam devem ter se perdido na floresta, devem ter tomado o caminho errado. Os cavalos se afastavam aos poucos, até que não era mais possível ouvi-los.O rei ficou imensamente agradecido ao serviçal e ao místico desconhecido. Aquelas palavras provaram ser milagrosas. Ele dobrou o papel, colocou-o de volta no anel, reuniu seus exércitos e reconquistou seu reino. E quando voltou à capital, vitorioso, havia uma grande celebração por toda a cidade, com música e dança, e ele sentia muito orgulho de si mesmo. O velho serviçal caminhava ao lado de sua carruagem. Ele disse: “Essa também é uma boa hora: leia de novo a mensagem.”O rei falou: “O que você quer dizer? Sou vitorioso, o povo está celebrando, não estou desesperado, não estou numa situação da qual não há saída.”O velho serviçal disse, “Escute. Foi isso que o santo disse para mim: esta mensagem não é só para os momentos de desespero, também é para os de grande prazer. Essa não é somente para quando você for derrotado, mas para quando você for vitorioso. Não apenas para quando você for o último, mas também para quando for o primeiro.”E o rei abriu o anel e leu a mensagem: “isso também irá passar,” e de repente, a mesma paz, o mesmo silêncio no meio da multidão que celebrava alegre, dançando. Mas o orgulho, o ego não estavam mais presentes. Tudo passa.Ele pediu ao servo que se aproximasse mais da carruagem e se sentasse ao seu lado. Perguntou: “Há mais alguma coisa? Tudo passa... Sua mensagem me ajudou muito.”O velho servo disse: a terceira coisa que o santo disse foi: lembre-se, tudo passa. Só você permanece. Você permanece sempre como uma testemunha.”Tudo passa, mas você permanece. Você é a realidade e tudo mais é somente um sonho. Belos sonhos, pesadelos. Mas não importa se é um belo sonho ou um pesadelo, o que importa é aquele que está vendo o sonho. Aquele que vê é a única realidade." _Osho

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Palestra com Hermógenes!! EU VOU!!! VAMOS???



"José Hermógenes de Andrade Filho, de 86 anos, é um bom exemplo de uma vida saudável que prescinde de médicos oude medicamentos. O caminho que ele escolheu para chegar à boa forma foi o do Yoga. Hermógenes, como éconhecido,dá aulas há mais de 45 anos em sua academia no Rio de Janeiro.Ele foi o precursor do Yoga no Brasil, é um ex militar que depois depois de usar o yoga para salvar-se de uma tuberculose, quase fatal, publicou mais de 20 livros sobre o tema, ( alguns desses livros ultrapassam 50 edições) e introduziu no Brasil, uma nova forma de repensar o corpo, mente e espírito como uma unidade.Professor Hermógenes é considerado a maior autoridade de yoga no Brasil e um de seus maiores expoentes no mundo."
INGRESSOS NO GANESHA STUDIO
GANESHA STUDIO, RUA LIMA E SILVA 740, SEG ANDAR,
BAIRRO CIDADE BAIXA - PORTO ALEGRE-RS.
FONE 51 3286 3068/93040087

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Massacre Cultural - Free Tibet - Boicotem os Jogos Olímpicos




O Último dos Tibetanos
Sob o aço e concreto do progresso chinês, a identidade cultural regional está sendo enterrada
Ian Buruma*

Estariam os tibetanos fadados ao mesmo destino dos índios americanos? Será que vão ser reduzidos a nada mais do que uma atração turística, mascateando souvenirs baratos de uma cultura antes notável? Esse triste destino está parecendo cada vez mais provável, e o ano olímpico já tem sido azedado pelos esforços do governo chinês para reprimir a resistência a isso.Os chineses têm muitas coisas a responder, mas o destino do Tibete não é apenas uma questão de opressão semicolonial. É freqüentemente esquecido o fato de que muitos tibetanos, principalmente pessoas instruídas das cidades maiores, ficaram tão ávidas em modernizar sua sociedade em meados do século 20 que encararam os comunistas chineses como aliados contra o regime dos monges sagrados e senhores de terras proprietários de servos. No início da década de 1950, o próprio jovem dalai-lama ficou impressionado com as reformas chinesas e escreveu poemas louvando o presidente Mao.Infelizmente, em vez de reformar a sociedade e a cultura tibetana, os comunistas chineses acabaram destroçando-a. A religião foi esmagada em nome do ateísmo marxista oficial. Os mosteiros e templos foram destruídos durante a Revolução Cultural (muitas vezes com ajuda de membros da Guarda Vermelha Tibetana). Nômades foram obrigados a morar em feios assentamentos de concreto. As artes tibetanas foram congeladas na forma de emblemas folclóricos de uma “cultura minoritária” promovida oficialmente. E o dalai-lama e seu séquito foram forçados a fugir para a Índia. Nada disso foi exclusivo do Tibete. A destruição da tradição e a arregimentação cultural forçada ocorreram por toda a China. Em alguns aspectos, os tibetanos foram tratados com menos crueldade do que a maioria dos chineses. Nem foi o desafio à singularidade tibetana típica dos comunistas. O general Chiang Kai-chek declarou em 1946 que os tibetanos eram chineses e ele certamente não teria lhes concedido a independência se seus nacionalistas tivessem ganho a guerra civil.Se o budismo tibetano foi gravemente prejudicado, o comunismo chinês mal sobreviveu às devastações do século 20, também. Mas o desenvolvimento capitalista tem sido ainda mais devastador para a tradição tibetana. Como muitas potências imperialistas modernas, a China reivindica a legitimidade de suas políticas apontando para seus benefícios materiais. Depois de décadas de destruição e negligência, o Tibete tem se beneficiado de enormes quantias em dinheiro e energia chineses para modernizar o país. Os tibetanos não podem reclamar que foram deixados para trás na transformação da China de um desastre do Terceiro Mundo numa maravilha de desenvolvimento urbano . Mas o preço para o Tibete tem sido mais alto que para outros lugares. A identidade regional, a diversidade cultural e as artes e costumes tradicionais foram enterrados debaixo de concreto, aço e vidro por toda a China. E todos os chineses estão tendo dificuldade em respirar o mesmo ar poluído. Mas ao menos os chineses da etnia han podem sentir-se orgulhosos do restabelecimento de sua sorte nacional. Eles podem aproveitar o ressurgimento do poder e da riqueza material da China. Em contraposição, os tibetanos só conseguem compartilhar desse sentimento na medida em que se tornarem plenamente chineses. Se não, só podem lamentar a perda da própria identidade.Os chineses têm exportado sua versão do desenvolvimento moderno para o Tibete não apenas em termos de arquitetura e infra-estrutura, mas também de população - numa onda após a outra: comerciantes de Sichuan, prostitutas de Hunan, tecnocratas de Pequim, autoridades do partido de Xangai e lojistas de Yunnan. Hoje em dia, a maior parte da população de Lhasa não é mais composta de tibetanos. A maioria das pessoas das áreas rurais é tibetana, mas o estilo de vida delas provavelmente não sobreviverá à modernização chinesa mais do que o estilo de vida dos apaches sobreviveu nos Estados Unidos.Uma vez que o chinês é o idioma da instrução nas escolas e universidades tibetanas, quem quiser ser mais do que camponês pobre, mendigo ou vendedor de quinquilharias precisa se adaptar às normas chinesas, isto é, tornar-se chinês. Até mesmo os intelectuais tibetanos que queiram estudar sua própria literatura clássica precisam fazê-lo na tradução chinesa. Enquanto isso, chineses e outros turistas estrangeiros vestem o traje tradicional tibetano para tirar fotos de lembrança tomadas em frente ao velho palácio do dalai-lama.A religião é agora tolerada no Tibete, como o é no restante da China, mas sob condições rigidamente controladas. Mosteiros e templos são explorados como atrações turísticas, enquanto agentes do governo se encarregam de garantir que os monges se comportem. Como pudemos perceber em decorrência dos recentes eventos, o governo ainda não foi totalmente bem-sucedido, pois o ressentimento entre os tibetanos é muito profundo. Nas últimas semanas esse ressentimento transbordou, primeiro nos monastérios e depois nas ruas, contra os migrantes chineses da etnia han, que são tanto os agentes como os beneficiários da rápida modernização.O dalai-lama tem repetido que não busca a independência. E certamente o governo chinês está errado quando o culpa pela violência. No entanto, enquanto o Tibete continuar fazendo parte da China, fica difícil ver como sua identidade cultural distinta possa sobreviver. As forças humanas e materiais aglutinadas contra o Tibete são esmagadoras. Há muito poucos tibetanos e chineses demais.Fora do Tibete, porém, é uma outra história. Se os chineses são responsáveis por extinguir o antigo estilo de vida dentro do Tibete, são, também, inadvertidamente, responsáveis por o manterem vivo fora do Tibete. Ao imporem o exílio ao dalai-lama, garantiram o estabelecimento de uma diáspora tibetana, que pode muito bem sobreviver numa forma mais tradicional do que seria provável mesmo num Tibete independente. Diásporas vicejam nos sonhos nostálgicos do retorno. As tradições são ciumentamente preservadas, como bens preciosos, para serem passadas de geração em geração enquanto esses sonhos persistirem.E quem pode dizer que esses sonhos nunca se concretizarão? Os judeus conseguiram agarrar-se aos seus por quase 2 mil anos.
*Ian Buruma é professor de direitos humanos no Bard College. Seu livro mais recente é Murder in Amsterdan: The Killing of Theo van Gogh and the Limites of Tolerance (Assassinato em Amsterdã: A Morte de Theo van Gogh e os Limites da Tolerância).