quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Rufaram os tambores do Cordel em Porto Alegre

Segunda-feira, 24 de novembro, passou pelo Opinião um Cordel do Fogo Encantado com seus tambores ensurdecedores e hipnóticos, e com as melodias e letras pungentes do vocal Lirinha.
Marcante. Foi uma lavada na alma, o show realmente é um "descarrego" !!!
Da abertura até o final foi de chorar no cantinho de tão bom!! Pena que acaba

rápido.
Logo de início um dos hinos do crodel: Morte e Vida Stanley

"Na madrugada de vento seco
No clarão da grande lua prateada
No recôncavo do sol
Na montanha mais longe do mar
Numa serra talhada espinho fechado coivara caieira vereda
Distancia da rua
Mato cerca pedra fogo faca lenha
Cerca bote bala bote bala bote senha
Tabuleiro tabuleiro em pó
Na pedra dos gaviões
Uma mulher deitada
O nome é Maria
A dor conduzindo o filho terceiro
Nas garras do mundo sem guia
Vai nascer outro homem
Ouviram
Vai nascer outro homem
Outro homem"

De "quase"fechamento o Palhaço do Circo Sem Futuro.





Ironicamente (e tristemente), enquanto cantávamos com a banda músicas que louvam a chuva, em uma terra que muito padeceu com a seca , nosso povo catarinense estava enfrentando as tragédias da cheia... Matizes deste país imenso que ao mesmo tempo que tem uma multidiversidade cultural, e uma diversidade climática, que sofre com muitas faltas (falta de segurança, saúde, empregos...), também abarca um coração lindo e pulsante quando se trata de solidariedade. Um povo cantando a falta da chuva e o outro chorando a cheia.
Choro com eles também, sou catarinense. Este post era para falar do Cordel, mas de tanto cantar a seca, me surgiu uma ponta de angústia e tristeza ao lançar um olhar sobre o alerta da natureza que se abateu sobre minha Santa (e bela) Catarina.

Diante da minha perplexidade canto outro trecho do Cordel do Fogo Encantado:

"Se eu pudesse parar os elementos
Se eu pudesse trazer paz ao mau tempo
Mas eu não posso
Não devo
Não quero
Tempestade
Tempestade
Tempestade"

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A HISTÓRIA DAS COISAS


Este é um vídeo muito contundente a respeito da banalização do consumo. Assista e faça sua parte! Ainda que sua parte seja apenas maneirar nas compras. Atitudes conscientes que atentem para a limitação e o esgotamento dos recursos naturais estão em jogo para que você continue vivendo no mundo maya. Sim! porque o mundo terra(maya) está por um fio!! E não adianta fechar os olhos e achar que está tudo bem, pois um outro tsunami, ou ciclone ou um furacão pode varrer sua casa e você ainda hoje, ou amanhã, ou daqui há uns meses... enfim, tudo pode acontecer. Ou se você prefere achar que nenhuma catástrofe natural de grandes proporções irá atingir sua cidade é melhor você pensar que daqui há alguns anos pode estar condenado a viver sem ter mais luz para você tomar aquele banho quente, ou sem ter água...ou mesmo sem ter uma fruta que não seja artificial para comer... Isso se você não tiver de viver no meio do lixo ou não acabar doente por ser intoxicado pelos poluentes e substâncias tóxicas presentes no ambiente. É meu caro, está tudo na nossa frente, não há mais como fechar os olhos. Ainda que você pense que a sua ajuda não fará diferença para salvar o planeta, lembre-se do passarinho que tentava apagar o fogo da floresta: ele estava consciente de que fazia sua parte.


quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Feedback da palestra do Hermógenes: Bala!

Um senhor de 86 anos, totalmente entregue à sabedoria da yoga, mais parecia um garoto apaixonado.Um sábio, não porque domina conhecimento intelectual a respeito de um assunto, mas também por demonstrar um grande senso de humor e dominar a arte de não se levar nem um pouco a sério... Um cara que segundo o índio Don Juan Matus aprendeu a “perder sua auto-importância”...
Este foi o Hermógenes que chegou à palestra no dia 15 de agosto de 2008.
Chegou conduzido por um de seus alunos que gentilmente lhe cedia o braço. Sentou numa poltrona, colocada à frente de uma enorme imagem de um GANESHA.
Bela ironia, o Ganesh é um Deus Criança adorado na Índia. E lá estava aquele senhor-menino sentado à frente do Ganesha falando sobre os benefícios da yoga em meio a algumas deliciosas piadas!
Isso mesmo: ele adora contar piadas. Mais um indício de que, apesar de ter escrito uma pá de livros sobre o assunto, aquela alma jovial se conserva na simplicidade e em uma das palavras mais lindas comentadas muitas vezes naquele Satsanga: DEVOÇÃO!
Foi naquele encontro que comecei a admirar e amar profundamente Hanuman, o devoto, o servidor.
Hermógenes falou de sua intenção de servir e do que a yoga tinha feito na sua vida. Um militar na época , de trinta e poucos anos acometido por uma tuberculose, que passou a praticar yoga no banheiro de casa, já que ninguém sabia o que era yoga naqueles anos, inclusive o médico hehehehe e de como ela o ajudou a encontrar a cura.
Falou de como começou, a partir de então, querer ensinar, informar as pessoas do poder da yoga. Falava do que o moveu para que se tornasse professor, escritor e eterno aluno, como ele mesmo se coloca. Um cara totalmente devoto à sua causa, à sua paixão, ao servir.
Falou do maior desejo do ser humano: Liberdade. Falou da normose, e da “coisa” (ver o livro “Yoga para nervosos”).... Mas enfim, nem vou falar de tudo por que daí perde a graça heheheh vale a pena procurar alguns de seus livros, nos quais não está presente apenas yoga, mas sim ensinamentos, poesias (SIM, ISSO MESMO, POESIAS!), muitas dicas e reflexões sobre como obter mais saúde e equlíbrio em nossas vidas.
Contou histórias, a maioria delas engraçadas... todo povo de boca aberta, admirando aquele ser humano, aquele cara de 86 anos, muito feliz de estar ali, reunido como algumas pessoas e falando com simplicidade de sua querida yoga. Eita disposição!!!
Eita devoção e amor à causa de servir! Adorei!!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

OLIMPÍADAS BEIJING - TUDO EM NOME DA BELEZA... A Verdade que fique de fora como telespectadora

ENGODO. Francamente, primeiro a incógnita do animador de torcida chinês que após ter sofrido queda de cabeça e se machucado feio, não se teve mais notícias do cara porque o governo chinês não permite. Simples assim.
http://www.clicrbs.com.br/olimpiada2008/jsp/default.jspx?uf=1&local=1&action=noticias&id=2111986&section=Not%EDcias
Agora essa: "Menina que cantou na abertura da Olimpíada foi dublada"
Isso porque a menina que cantava realmente, não foi considerada bonita o suficiente!!! Quem quiser ver notícia aí vai o link:
http://noticias.uol.com.br/bbc/reporter/2008/08/12/ult4909u4988.jhtm
Bonito né?! que legal essa enganação toda. Aliás, nas regiões pobres das cidades chinesas é comum notar que se colocaram placas, isso mesmo, placas formando muros para que não se veja o que tem por trás. Pois é, pão circo, amigos! Muita máscara.
Só vale a pena em ver se for pelo esporte, porque a arbitrariedade do governo chinês assusta e entristece. Isso que nem vou falar do Tibet.

Outras pérolas:
"Olimpíada afugenta desempregados para mostrar Pequim "para inglês ver"

"China tenta mostrar ao mundo que dá liberdade para a imprensa"

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Ingrediente em falta hoje: Paciência

Ontem ao me despedir de um amigo num café, troquei tchaus, desejo de boa semana, e saindo da minha boca, antes que eu pudesse captar e trazer de volta, um sonoro: Paciência!
Isso mesmo desejei Paciência! Ele olhou, e penso que também achou inusitado desejar esse tipo de coisa em uma despedida. Aí eu fiquei com os meus botões..."paciência"... de onde veio essa, Patrícia? hein? hein?

Claro que a primeira coisa que me veio à mente era de que eu estava desejando isso não só pra ele, mas para nós. Deixando o tempo correr e observando meu dia hoje, entendi que era muito pra mim: Paciência...

Esta palavra não parou de retumbar na minha cabeça...Paciência, paciência... Me lembrei de um texto que escrevi, no qual relembrando um de meus livros favoritos, fazia referência ao fabuloso Machado de Assis, me identificando com ele no que diz respeito a este fantástico desafio do século XXI: a paciência...

O que escrevi há uns três anos atrás sobre a paciência hehehehe:

"Por falar em arte, não posso esquecer de mencionar uma modalidade necessária de arte, a paciência. Corrijo-me, não merece tal notoriedade essa palavra, aliás, nesse sentido Machado é magistral, acertou ele ao comparar a paciência a um asno, “ a um tempo manhoso e teimoso”. Então, revoga-se a condição de arte, estabelece-se a de “asno”, sempre empacando, frise-se."

É bom revisitar velhos escritos, porque podemos identificar neles nossas mudanças e transformações. Aliás, acho triste quando acostumamos a manter sempre o mesmo ponto de vista que na maioria das vezes nem é nosso mesmo. Não se levar muito a sério é outro dos desafios do século XXI, fecha parênteses.

Hoje não vejo como arte, nem como asno... tô mais amena com a paciência... vejo mais como um desafio. Desafio do mundo Maya: Paciência. Viver com paciência na cultura do TUDO PRONTO PARA CONSUMO não é nada fácil, não é nada ZEN. É um exercício de disciplina notar o corpo, a energia e o emocional tensos em função do amanhã, do que desejamos hoje, e do esforço para largar o "pra ontem"... disciplina da meditação, de fazer aparecer na mente aquele espaço de tempo em que eu sou capaz de escolher ficar tranquilo por me sentir integrado na existência que toma conta de mim ou de me preocupar com as contas a pagar, os livros que faltam ler, os telefonemas a dar, os prazos a cumprir, as metas a alcançar...

Desafio de perceber que posso parar o tempo e perguntar, no meio do redemoinho, o que estou buscando afinal? E desafio de me dar o tempo necessário para relembrar que a busca não tem fim, e sim de que estar aqui é a própria busca.

Paciência sem que seja confundida com resignação, apenas paciência... Paciência associada com respiração. Paciência... inspira... paciência... expira... paciência. Espera... paciência...calma... paciência...
Xiii, lá vem ela me convencendo aos poucos de torná-la companheira e não mais desafio. Resisto. Ainda falta um tempo... mas simpatizo com a idéia e peço a ela calma. Digo: Ei! peraí, Dona Paciência! Paciência comigo, por hora...

Para ela é muito simples, dá um breve aceno e sai andando, desejando uma boa semana e sussurrando bem baixinho por detrás de um sorrisinho maroto: pa..ci..ên...cia...
Nem me dei conta de que quando ela se foi trouxe pela mão meu velho conhecido e companheiro. Eu estava distraída... O silêncio chegou e sentou ao meu lado sem que o notasse. Agora estamos só nós dois... Shhhhh...

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Historinha Sufi... INDICAÇÃO: Use para momentos de crise ou de êxtase...

"Vou contar uma antiga história Sufi.Um rei perguntou aos sábios da corte: “Estou fazendo um anel belíssimo para mim mesmo. Consegui um dos melhores diamantes que existe. Quero manter, escondido dentro do anel, uma mensagem que possa me auxiliar num momento de completo desespero. Terá que ser bem pequena para que possa ficar oculta sob o diamante no anel.”Todos os sábios estavam reunidos, todos grandes eruditos. Poderiam escrever grandes tratados. Mas dar ao rei uma mensagem com apenas duas ou três palavras que pudesse ajudá-lo em momentos de completo desespero... eles pensaram, procuraram em seus livros, mas nada puderam encontrar.O rei tinha um servo antigo que era quase como seu pai – ele já tinha servido também a seu pai. A mãe do rei havia morrido cedo e esse servo cuidou dele, assim ele não era tratado como um empregado. O rei tinha imenso respeito por ele. O velho disse, “Não sou um sábio, culto, conhecedor de muitos assuntos, mas sei qual é a mensagem, pois só existe uma mensagem. E estas pessoas não podem dá-la a você. Ela só pode ser dada por um místico, por um homem que tenha realizado a si mesmo.”Em minha longa vida no palácio, encontrei todo tipo de pessoas, e uma vez, um místico. Ele também era um hóspede de seu pai e fui colocado para servi-lo. Quando ele estava para partir, como um gesto de agradecimento por todos os meus serviços ele me deu essa mensagem” e a escreveu num pedacinho de papel, depois dobrou o papel e disse ao rei, “Não leia agora, apenas a mantenha escondida no anel. Só leia esta mensagem quando tudo mais tiver falhado, quando não houver mais saída.E essa hora não demorou a chegar. O país foi invadido e o rei perdeu seu reino. Ele estava fugindo em seu cavalo para salvar sua vida e os cavalos dos inimigos o estavam seguindo. Ele estava sozinho, e eles eram muitos. Depois ele chegou a um ponto onde a estrada acabava, num lugar sem saída, só havia um despenhadeiro. Cair dali seria o fim. Ele não podia retornar, o inimigo estava ali e ele podia ouvir o som dos cavalos se aproximando. Não podia avançar, não havia saída...Então, lembrou-se do anel. Ele o abriu, tirou o papel, e havia uma pequena mensagem de enorme valor: simplesmente dizia, “Isso também irá passar. Um grande silêncio recaiu sobre ele enquanto lia a frase: isso também irá passar. E passou. Tudo passa, nada permanece eternamente nesse mundo. Os inimigos que o seguiam devem ter se perdido na floresta, devem ter tomado o caminho errado. Os cavalos se afastavam aos poucos, até que não era mais possível ouvi-los.O rei ficou imensamente agradecido ao serviçal e ao místico desconhecido. Aquelas palavras provaram ser milagrosas. Ele dobrou o papel, colocou-o de volta no anel, reuniu seus exércitos e reconquistou seu reino. E quando voltou à capital, vitorioso, havia uma grande celebração por toda a cidade, com música e dança, e ele sentia muito orgulho de si mesmo. O velho serviçal caminhava ao lado de sua carruagem. Ele disse: “Essa também é uma boa hora: leia de novo a mensagem.”O rei falou: “O que você quer dizer? Sou vitorioso, o povo está celebrando, não estou desesperado, não estou numa situação da qual não há saída.”O velho serviçal disse, “Escute. Foi isso que o santo disse para mim: esta mensagem não é só para os momentos de desespero, também é para os de grande prazer. Essa não é somente para quando você for derrotado, mas para quando você for vitorioso. Não apenas para quando você for o último, mas também para quando for o primeiro.”E o rei abriu o anel e leu a mensagem: “isso também irá passar,” e de repente, a mesma paz, o mesmo silêncio no meio da multidão que celebrava alegre, dançando. Mas o orgulho, o ego não estavam mais presentes. Tudo passa.Ele pediu ao servo que se aproximasse mais da carruagem e se sentasse ao seu lado. Perguntou: “Há mais alguma coisa? Tudo passa... Sua mensagem me ajudou muito.”O velho servo disse: a terceira coisa que o santo disse foi: lembre-se, tudo passa. Só você permanece. Você permanece sempre como uma testemunha.”Tudo passa, mas você permanece. Você é a realidade e tudo mais é somente um sonho. Belos sonhos, pesadelos. Mas não importa se é um belo sonho ou um pesadelo, o que importa é aquele que está vendo o sonho. Aquele que vê é a única realidade." _Osho

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Palestra com Hermógenes!! EU VOU!!! VAMOS???



"José Hermógenes de Andrade Filho, de 86 anos, é um bom exemplo de uma vida saudável que prescinde de médicos oude medicamentos. O caminho que ele escolheu para chegar à boa forma foi o do Yoga. Hermógenes, como éconhecido,dá aulas há mais de 45 anos em sua academia no Rio de Janeiro.Ele foi o precursor do Yoga no Brasil, é um ex militar que depois depois de usar o yoga para salvar-se de uma tuberculose, quase fatal, publicou mais de 20 livros sobre o tema, ( alguns desses livros ultrapassam 50 edições) e introduziu no Brasil, uma nova forma de repensar o corpo, mente e espírito como uma unidade.Professor Hermógenes é considerado a maior autoridade de yoga no Brasil e um de seus maiores expoentes no mundo."
INGRESSOS NO GANESHA STUDIO
GANESHA STUDIO, RUA LIMA E SILVA 740, SEG ANDAR,
BAIRRO CIDADE BAIXA - PORTO ALEGRE-RS.
FONE 51 3286 3068/93040087

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Massacre Cultural - Free Tibet - Boicotem os Jogos Olímpicos




O Último dos Tibetanos
Sob o aço e concreto do progresso chinês, a identidade cultural regional está sendo enterrada
Ian Buruma*

Estariam os tibetanos fadados ao mesmo destino dos índios americanos? Será que vão ser reduzidos a nada mais do que uma atração turística, mascateando souvenirs baratos de uma cultura antes notável? Esse triste destino está parecendo cada vez mais provável, e o ano olímpico já tem sido azedado pelos esforços do governo chinês para reprimir a resistência a isso.Os chineses têm muitas coisas a responder, mas o destino do Tibete não é apenas uma questão de opressão semicolonial. É freqüentemente esquecido o fato de que muitos tibetanos, principalmente pessoas instruídas das cidades maiores, ficaram tão ávidas em modernizar sua sociedade em meados do século 20 que encararam os comunistas chineses como aliados contra o regime dos monges sagrados e senhores de terras proprietários de servos. No início da década de 1950, o próprio jovem dalai-lama ficou impressionado com as reformas chinesas e escreveu poemas louvando o presidente Mao.Infelizmente, em vez de reformar a sociedade e a cultura tibetana, os comunistas chineses acabaram destroçando-a. A religião foi esmagada em nome do ateísmo marxista oficial. Os mosteiros e templos foram destruídos durante a Revolução Cultural (muitas vezes com ajuda de membros da Guarda Vermelha Tibetana). Nômades foram obrigados a morar em feios assentamentos de concreto. As artes tibetanas foram congeladas na forma de emblemas folclóricos de uma “cultura minoritária” promovida oficialmente. E o dalai-lama e seu séquito foram forçados a fugir para a Índia. Nada disso foi exclusivo do Tibete. A destruição da tradição e a arregimentação cultural forçada ocorreram por toda a China. Em alguns aspectos, os tibetanos foram tratados com menos crueldade do que a maioria dos chineses. Nem foi o desafio à singularidade tibetana típica dos comunistas. O general Chiang Kai-chek declarou em 1946 que os tibetanos eram chineses e ele certamente não teria lhes concedido a independência se seus nacionalistas tivessem ganho a guerra civil.Se o budismo tibetano foi gravemente prejudicado, o comunismo chinês mal sobreviveu às devastações do século 20, também. Mas o desenvolvimento capitalista tem sido ainda mais devastador para a tradição tibetana. Como muitas potências imperialistas modernas, a China reivindica a legitimidade de suas políticas apontando para seus benefícios materiais. Depois de décadas de destruição e negligência, o Tibete tem se beneficiado de enormes quantias em dinheiro e energia chineses para modernizar o país. Os tibetanos não podem reclamar que foram deixados para trás na transformação da China de um desastre do Terceiro Mundo numa maravilha de desenvolvimento urbano . Mas o preço para o Tibete tem sido mais alto que para outros lugares. A identidade regional, a diversidade cultural e as artes e costumes tradicionais foram enterrados debaixo de concreto, aço e vidro por toda a China. E todos os chineses estão tendo dificuldade em respirar o mesmo ar poluído. Mas ao menos os chineses da etnia han podem sentir-se orgulhosos do restabelecimento de sua sorte nacional. Eles podem aproveitar o ressurgimento do poder e da riqueza material da China. Em contraposição, os tibetanos só conseguem compartilhar desse sentimento na medida em que se tornarem plenamente chineses. Se não, só podem lamentar a perda da própria identidade.Os chineses têm exportado sua versão do desenvolvimento moderno para o Tibete não apenas em termos de arquitetura e infra-estrutura, mas também de população - numa onda após a outra: comerciantes de Sichuan, prostitutas de Hunan, tecnocratas de Pequim, autoridades do partido de Xangai e lojistas de Yunnan. Hoje em dia, a maior parte da população de Lhasa não é mais composta de tibetanos. A maioria das pessoas das áreas rurais é tibetana, mas o estilo de vida delas provavelmente não sobreviverá à modernização chinesa mais do que o estilo de vida dos apaches sobreviveu nos Estados Unidos.Uma vez que o chinês é o idioma da instrução nas escolas e universidades tibetanas, quem quiser ser mais do que camponês pobre, mendigo ou vendedor de quinquilharias precisa se adaptar às normas chinesas, isto é, tornar-se chinês. Até mesmo os intelectuais tibetanos que queiram estudar sua própria literatura clássica precisam fazê-lo na tradução chinesa. Enquanto isso, chineses e outros turistas estrangeiros vestem o traje tradicional tibetano para tirar fotos de lembrança tomadas em frente ao velho palácio do dalai-lama.A religião é agora tolerada no Tibete, como o é no restante da China, mas sob condições rigidamente controladas. Mosteiros e templos são explorados como atrações turísticas, enquanto agentes do governo se encarregam de garantir que os monges se comportem. Como pudemos perceber em decorrência dos recentes eventos, o governo ainda não foi totalmente bem-sucedido, pois o ressentimento entre os tibetanos é muito profundo. Nas últimas semanas esse ressentimento transbordou, primeiro nos monastérios e depois nas ruas, contra os migrantes chineses da etnia han, que são tanto os agentes como os beneficiários da rápida modernização.O dalai-lama tem repetido que não busca a independência. E certamente o governo chinês está errado quando o culpa pela violência. No entanto, enquanto o Tibete continuar fazendo parte da China, fica difícil ver como sua identidade cultural distinta possa sobreviver. As forças humanas e materiais aglutinadas contra o Tibete são esmagadoras. Há muito poucos tibetanos e chineses demais.Fora do Tibete, porém, é uma outra história. Se os chineses são responsáveis por extinguir o antigo estilo de vida dentro do Tibete, são, também, inadvertidamente, responsáveis por o manterem vivo fora do Tibete. Ao imporem o exílio ao dalai-lama, garantiram o estabelecimento de uma diáspora tibetana, que pode muito bem sobreviver numa forma mais tradicional do que seria provável mesmo num Tibete independente. Diásporas vicejam nos sonhos nostálgicos do retorno. As tradições são ciumentamente preservadas, como bens preciosos, para serem passadas de geração em geração enquanto esses sonhos persistirem.E quem pode dizer que esses sonhos nunca se concretizarão? Os judeus conseguiram agarrar-se aos seus por quase 2 mil anos.
*Ian Buruma é professor de direitos humanos no Bard College. Seu livro mais recente é Murder in Amsterdan: The Killing of Theo van Gogh and the Limites of Tolerance (Assassinato em Amsterdã: A Morte de Theo van Gogh e os Limites da Tolerância).

terça-feira, 29 de julho de 2008

Manias do MundoMaya


Taí, uma das minhas manias esporádicas hehehe ...Montar quebra-cabeças hehehe

Até agora não me arrisquei nos de mais de 2.000 peças. Digo esporádica pq não dá pra arrumar um quebra-cabeça legal toda semana. Até pq aqui no Brasil são poucos modelos acima de 1.000 peças (estes são meus favoritos, tamanho ideal para montar em uns dois/três dias) e são mto caros. No Ebay tem vários lindos e com um preço bem camaradinha. Os dois últimos importei, humpf! é uma boa atividade pra permanecer no AGORA. A-DO-RO!

Tenho que colocar a foto do último que montei, um quadro lindo do Shvaiko. Nesses dias em que a gente tá virando sapo aqui em Porto (há dois dias não pára de chover) sinto falta de um.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Sattva Yoga


Há tempos eu estava à procura de um local perto de casa e que fosse acessível para praticar novamente yoga. E ela veio ao meu encontro do jeitinho que eu queria... acabaram me convidando para um aula de yoga aqui pertinho, no bairro Menino Deus, onde moro. Fui meio assim, achando que ia encontrar um Hatha Yoga (modalidade de yoga mais leve e relaxante), e acabei me deparando com um novo método fantástico, intenso e muito revigorante criado por um chileno chamado Gustavo Ponce: o SATTVA YOGA. Um de seus diferenciais: a PAREDE!! Os asanas (assim são chamadas as posturas no yoga) são praticados tendo a parede como "mestre". O trabalho com a parede é bastante exigente e serve para harmonizar o corpo e a coluna. Gustavo Ponce, criador do método, que estudou anos na Índia diretamente com Yogendra, Iyengar, Pattabi Jois e Desikachar. Criou este método pq estava com a coluna lesionada em função de anos de prática de artes marciais. O método pode ser praticado também sem a parede, e é composto de 45 posturas.
Estou adorando!! O trabalho com a coluna é realmente eficiente, estava há tempos com dores na dorsal e lombar, e em menos de um mês de prática estou livre das dores e me sentindo super-disposta. Para quem quiser dar uma olhadinha na técnica, aí vai o site:
www.sattvayoga.cl/

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Virando Índio

Estou in love com os Sioux... na verdade com todos os índios norte-americanos. Um belo dia, um livro cai na minha mão, ou melhor entra na minha mira... coisas do tipo qdo eu já estava na fila do caixa olhando a esmo para um lado e para o outro e de repente... Pimba! sincronicidade...
Uma foto de um índio bem velho me chamou atenção... um livro que me pareceu despretensioso, mas que havia sido best seller na década de 70; de bolso da L&PM Pocket... NEM HESITEI. PUXEI. É MEU!!
"Enterrem meu coração na curva do Rio: a dramática história dos índios norte-americanos",mágico!
Depois de começar o terceiro livro do Carlos Castaneda, eu já estava nessa onda, agora to assumindo meu lado índio. O que é assumir o lado índio? Boa pergunta. Sei que na adolescência li alguns livros sobre a fantástica percepção extra sensorial dos índios... suas técnicas de cura... Bom meu avô materno era curandeiro e bugre, ou seja, na genética tem 25% de índio (me puxei nessa de 25%, lembrei das aulas de genética do colégio huahuahua).
Toda essa cultura ancestral me interessa. Enfim, não explico, mas toda essa sapiência deles para mim é magnética... e o branco chegou e, para variar, deu um rapa na galera e mandou eles para um reserva lá na PQP dos EUA. Tipo, "Se mandem que o território aqui vai ser nosso" . Bahhhh e os caras só queriam viver na deles!
Claro que sempre tem um louco no meio querendo briga ( a tribo dos Utes, por exemplo), mas a maioria era de paz. Os Apaches tinham até uma Constituição (http://www.nativeamericans.com/ApacheConstitution.htm).
Aqui até não mandaram os índios embora, mas catequizaram os caras... não sei o que é pior, isolar os índios ou aniquilar toda uma cultura.
Buenas, de qq forma, hj to vidrada no Don Juan (vide os livros do Carlos Castaneda), eita velhinho sangue bom e totalmente MALUCO hehehe!! Outra hora vou falar só dele.
E agora me aparece esse Wanduta, o Red Cloud, o Sitting Bull (famigerado TOURO SENTADO... quem não ouviu falar desse nome hein? Lembra? quem curte Western tá ligado), o Geronimo...
Sites legais:
http://www.nativeamericans.com/Sioux.htm (Super completo: História, língua, cultura, em inglês)
http://webhome.idirect.com/~mikeha/namericans/namericans.html (fotos maravilhosas de chefes de várias tribos)

Sioux Tribe - Crazy Horse Story of a Brave Sioux Leader


"A very great vision is needed and the man who has it must follow it as the eagle seeks the deepest blue of the sky ... we preferred hunting to a life of idleness on our reservations. At times we did not get enough to eat and we were not allowed to hunt. All we wanted was peace and to be left alone. Soldiers came and destroyed our villages. Then Long Hair (Custer) came...They say we massacred him, but he would have done the same to us. Our first impulse was to escape but we were so hemmed in we had to fight."
_Crazy Horse, as remembered by Charles A. EastmanCrazy Horse, Tashunkewitko of the western Sioux, was born about 1845. Killed at Fort Robinson, Nebraska in 1877, he lived barely 33 years.

terça-feira, 15 de julho de 2008

COMEÇANDO DO ZERO

Meu tarot companheiro: "O tarot Zen de Osho", olho para o lado, na cabeceira da cama e lá está ele, meu super-amigo revelador, intrigador, incomodador, apaziguador... eita cara (Osho) que sabe falar com simplicidade e contundência. Podem criticar ele à vontade, mas ele sabe falar as coisas sem meias palavras para qualquer um que queira entender, entender... if you know what I'm saying rsrsrsrs
Aliás esta carta apareceu num momento bem td a ver hehehe "ainda que tapaceiem com você" hehehehe
e, além disso, é mto pertinente para este início de blog. VAMOS COMEÇAR DO ZERO!!
"Tolo é quem confia sempre; tolo é quem continua confiando, contrariamente ao que recomendam todas as suas experiências vividas. Você o engana, e ele confia em você; você o engana de novo, e ele continua confiando; você o engana mais uma vez, e ele ainda confia em você. Então você dirá que ele é um tolo, que não aprende. A confiança dele é enorme; é uma confiança tão pura que ninguém consegue corrompê-la.Seja um tolo no sentido taoísta, no sentido do Zen.
Não tente criar uma muralha de conhecimentos em torno de você. Seja qual for a experiência que venha a você, deixe-a acontecer e depois siga em frente, descartando-se dela. Vá limpando sua mente o tempo todo; vá morrendo para o passado, de forma a permanecer no presente, no aqui-agora, como se tivesse acabado de nascer, como se fosse um bebê. No começo isso será muito difícil. O mundo começará a tirar vantagem de você... deixe que o façam. São uns pobres companheiros. Ainda que trapaceiem com você, que o enganem e roubem, deixe acontecer, porque aquilo que é realmente seu não pode ser roubado, o que realmente lhe pertence ninguém pode tirar de você. E a cada vez que você não permitir que as circunstâncias o corrompam, a oportunidade se transformará em um efeito de integração dentro de você. A sua alma se tornará mais cristalizada. "
_ Osho Dang Dang Doko Dang Chapter2
"Ontem à noite, Fritz falou sobre si mesmo no grupo de Esalen, de onde tinha acabado de voltar: 'Pela primeira vez na vida fui perfeito.' Ele disse que tinha visto claramente maya, a ilusão. Eu vi essa ilusão claramente por um instante. o que importa, o que acontece comigo ou com os outros quando é tudo ilusão, como o homem que cai morto no meio de uma peça de teatro?"
_ Barry Stevens, do livro Não Apresse o Rio (ele corre sozinho)