terça-feira, 11 de maio de 2010

Eu tenho fé nas noites...

Retomando o Blog?... Maybe... Sou meio temperamental e inconstante com esse lance de Blog. Tiro férias, penso em "matá-lo", leio algumas vezes, em outras nem lembro que ele existe... well, e, numa noite normal, às 3:15 A.M., ouvindo SIA (Lady Croissant é um álbum glorioso para as madrugadas) deu vontade de escrever.
Mas não muito... Reticência pouca é bobagem rsrsrsrs
Viver no mundo Maya (quase) me obriga a viver a rotina das manhãs e do dia. Mas gosto mesmo é das madrugadas, em casa, onde tudo pára. É solitário e silencioso, pacífico. Eu amo as noites por isso.


"Você, escuridão de onde eu venho,
Eu amo você mais do que todos os fogos que cercam o mundo,
pois o fogo faz um círculo de luz em torno de cada um
e então ninguém do lado de fora sabe de você.
Mas a escuridão junta tudo:
formas e fogos, animais e eu mesmo, com que facilidade os une!_
poderes e pessoas.
E é possível que uma grande energia
esteja se movendo perto de mim.
Eu tenho fé nas noites."
_Rainer Maria Rilke

quinta-feira, 26 de março de 2009

Palavras Tudo


Hoje eu quero encontrar uma música, uma peça, qualquer coisa que me dê alento, uma energia vinda sei lá de onde, alguma sensação arrebatadora que desanuvie o tédio. Uma nota, um perfume, uma letra, uma palavra: Grandiosidade. Palavras grandes soam melhor do que qualquer palavra. Não grandes em sua extensão, mas enormes em significado, em conteúdo, fluência. Escrever sempre foi uma catarse.
Grandes palavras, sensações maiores ainda, êxtase, inebriantes palavras eufóricas, palavras tudo. TUDO que o homem não consegue dizer sentindo, não consegue dizer vivendo, não consegue dizer sonhando, toda palavra trancada na boca, no coração, nos olhos, nas mãos, no corpo. Palavras boas, fartas, abundantes, que por si só já valem uma frase, um parágrafo, um livro. GRATIDÃO. DOÇURA. BONDADE. AMABILIDADE. SIMPATIA. CORAGEM.ENTREGA. DESIDERATO. Palavras curtas complexas: AMOR, PAZ, LUTA, VIDA, UM, FÉ, DEUS, HOMEM, MULHER.
Palavras que ordenam os pensamentos ou os deixam confusos, palavras que cantam ou gritam, palavras que dizem ou mandam, palavras que cuidam ou maltratam, palavras, palavras, palavras, palavras, expressão que nos difere dos animais ou nos aproxima deles. Bem usadas, mal usadas. Palavras, raciocínio, encontram seu limite no coração. Frustram-se quando tentam explicar o inexplicável e, por si só, não bastam mais, anulam-se diante do sentimento e morrem sozinhas. Silêncio... Retornam no consolo, na amizade, na temperança, na prece, na preocupação, na impaciência. Palavras, palavras, tenho tantas... Por vezes ajuda certa que não me abandona... me acolhe e me põe para dormir. Alento. Outras vezes confundem, frustram, e insistem em permanecer no lugar em que o vazio quer se instalar. Necessárias, desnecessárias.
Por hora me bastam... Logo, logo restarão insuficientes... Hoje quero as palavras.

Texto de 12/02/2004.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Rufaram os tambores do Cordel em Porto Alegre

Segunda-feira, 24 de novembro, passou pelo Opinião um Cordel do Fogo Encantado com seus tambores ensurdecedores e hipnóticos, e com as melodias e letras pungentes do vocal Lirinha.
Marcante. Foi uma lavada na alma, o show realmente é um "descarrego" !!!
Da abertura até o final foi de chorar no cantinho de tão bom!! Pena que acaba

rápido.
Logo de início um dos hinos do crodel: Morte e Vida Stanley

"Na madrugada de vento seco
No clarão da grande lua prateada
No recôncavo do sol
Na montanha mais longe do mar
Numa serra talhada espinho fechado coivara caieira vereda
Distancia da rua
Mato cerca pedra fogo faca lenha
Cerca bote bala bote bala bote senha
Tabuleiro tabuleiro em pó
Na pedra dos gaviões
Uma mulher deitada
O nome é Maria
A dor conduzindo o filho terceiro
Nas garras do mundo sem guia
Vai nascer outro homem
Ouviram
Vai nascer outro homem
Outro homem"

De "quase"fechamento o Palhaço do Circo Sem Futuro.





Ironicamente (e tristemente), enquanto cantávamos com a banda músicas que louvam a chuva, em uma terra que muito padeceu com a seca , nosso povo catarinense estava enfrentando as tragédias da cheia... Matizes deste país imenso que ao mesmo tempo que tem uma multidiversidade cultural, e uma diversidade climática, que sofre com muitas faltas (falta de segurança, saúde, empregos...), também abarca um coração lindo e pulsante quando se trata de solidariedade. Um povo cantando a falta da chuva e o outro chorando a cheia.
Choro com eles também, sou catarinense. Este post era para falar do Cordel, mas de tanto cantar a seca, me surgiu uma ponta de angústia e tristeza ao lançar um olhar sobre o alerta da natureza que se abateu sobre minha Santa (e bela) Catarina.

Diante da minha perplexidade canto outro trecho do Cordel do Fogo Encantado:

"Se eu pudesse parar os elementos
Se eu pudesse trazer paz ao mau tempo
Mas eu não posso
Não devo
Não quero
Tempestade
Tempestade
Tempestade"

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A HISTÓRIA DAS COISAS


Este é um vídeo muito contundente a respeito da banalização do consumo. Assista e faça sua parte! Ainda que sua parte seja apenas maneirar nas compras. Atitudes conscientes que atentem para a limitação e o esgotamento dos recursos naturais estão em jogo para que você continue vivendo no mundo maya. Sim! porque o mundo terra(maya) está por um fio!! E não adianta fechar os olhos e achar que está tudo bem, pois um outro tsunami, ou ciclone ou um furacão pode varrer sua casa e você ainda hoje, ou amanhã, ou daqui há uns meses... enfim, tudo pode acontecer. Ou se você prefere achar que nenhuma catástrofe natural de grandes proporções irá atingir sua cidade é melhor você pensar que daqui há alguns anos pode estar condenado a viver sem ter mais luz para você tomar aquele banho quente, ou sem ter água...ou mesmo sem ter uma fruta que não seja artificial para comer... Isso se você não tiver de viver no meio do lixo ou não acabar doente por ser intoxicado pelos poluentes e substâncias tóxicas presentes no ambiente. É meu caro, está tudo na nossa frente, não há mais como fechar os olhos. Ainda que você pense que a sua ajuda não fará diferença para salvar o planeta, lembre-se do passarinho que tentava apagar o fogo da floresta: ele estava consciente de que fazia sua parte.


quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Feedback da palestra do Hermógenes: Bala!

Um senhor de 86 anos, totalmente entregue à sabedoria da yoga, mais parecia um garoto apaixonado.Um sábio, não porque domina conhecimento intelectual a respeito de um assunto, mas também por demonstrar um grande senso de humor e dominar a arte de não se levar nem um pouco a sério... Um cara que segundo o índio Don Juan Matus aprendeu a “perder sua auto-importância”...
Este foi o Hermógenes que chegou à palestra no dia 15 de agosto de 2008.
Chegou conduzido por um de seus alunos que gentilmente lhe cedia o braço. Sentou numa poltrona, colocada à frente de uma enorme imagem de um GANESHA.
Bela ironia, o Ganesh é um Deus Criança adorado na Índia. E lá estava aquele senhor-menino sentado à frente do Ganesha falando sobre os benefícios da yoga em meio a algumas deliciosas piadas!
Isso mesmo: ele adora contar piadas. Mais um indício de que, apesar de ter escrito uma pá de livros sobre o assunto, aquela alma jovial se conserva na simplicidade e em uma das palavras mais lindas comentadas muitas vezes naquele Satsanga: DEVOÇÃO!
Foi naquele encontro que comecei a admirar e amar profundamente Hanuman, o devoto, o servidor.
Hermógenes falou de sua intenção de servir e do que a yoga tinha feito na sua vida. Um militar na época , de trinta e poucos anos acometido por uma tuberculose, que passou a praticar yoga no banheiro de casa, já que ninguém sabia o que era yoga naqueles anos, inclusive o médico hehehehe e de como ela o ajudou a encontrar a cura.
Falou de como começou, a partir de então, querer ensinar, informar as pessoas do poder da yoga. Falava do que o moveu para que se tornasse professor, escritor e eterno aluno, como ele mesmo se coloca. Um cara totalmente devoto à sua causa, à sua paixão, ao servir.
Falou do maior desejo do ser humano: Liberdade. Falou da normose, e da “coisa” (ver o livro “Yoga para nervosos”).... Mas enfim, nem vou falar de tudo por que daí perde a graça heheheh vale a pena procurar alguns de seus livros, nos quais não está presente apenas yoga, mas sim ensinamentos, poesias (SIM, ISSO MESMO, POESIAS!), muitas dicas e reflexões sobre como obter mais saúde e equlíbrio em nossas vidas.
Contou histórias, a maioria delas engraçadas... todo povo de boca aberta, admirando aquele ser humano, aquele cara de 86 anos, muito feliz de estar ali, reunido como algumas pessoas e falando com simplicidade de sua querida yoga. Eita disposição!!!
Eita devoção e amor à causa de servir! Adorei!!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

OLIMPÍADAS BEIJING - TUDO EM NOME DA BELEZA... A Verdade que fique de fora como telespectadora

ENGODO. Francamente, primeiro a incógnita do animador de torcida chinês que após ter sofrido queda de cabeça e se machucado feio, não se teve mais notícias do cara porque o governo chinês não permite. Simples assim.
http://www.clicrbs.com.br/olimpiada2008/jsp/default.jspx?uf=1&local=1&action=noticias&id=2111986&section=Not%EDcias
Agora essa: "Menina que cantou na abertura da Olimpíada foi dublada"
Isso porque a menina que cantava realmente, não foi considerada bonita o suficiente!!! Quem quiser ver notícia aí vai o link:
http://noticias.uol.com.br/bbc/reporter/2008/08/12/ult4909u4988.jhtm
Bonito né?! que legal essa enganação toda. Aliás, nas regiões pobres das cidades chinesas é comum notar que se colocaram placas, isso mesmo, placas formando muros para que não se veja o que tem por trás. Pois é, pão circo, amigos! Muita máscara.
Só vale a pena em ver se for pelo esporte, porque a arbitrariedade do governo chinês assusta e entristece. Isso que nem vou falar do Tibet.

Outras pérolas:
"Olimpíada afugenta desempregados para mostrar Pequim "para inglês ver"

"China tenta mostrar ao mundo que dá liberdade para a imprensa"

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Ingrediente em falta hoje: Paciência

Ontem ao me despedir de um amigo num café, troquei tchaus, desejo de boa semana, e saindo da minha boca, antes que eu pudesse captar e trazer de volta, um sonoro: Paciência!
Isso mesmo desejei Paciência! Ele olhou, e penso que também achou inusitado desejar esse tipo de coisa em uma despedida. Aí eu fiquei com os meus botões..."paciência"... de onde veio essa, Patrícia? hein? hein?

Claro que a primeira coisa que me veio à mente era de que eu estava desejando isso não só pra ele, mas para nós. Deixando o tempo correr e observando meu dia hoje, entendi que era muito pra mim: Paciência...

Esta palavra não parou de retumbar na minha cabeça...Paciência, paciência... Me lembrei de um texto que escrevi, no qual relembrando um de meus livros favoritos, fazia referência ao fabuloso Machado de Assis, me identificando com ele no que diz respeito a este fantástico desafio do século XXI: a paciência...

O que escrevi há uns três anos atrás sobre a paciência hehehehe:

"Por falar em arte, não posso esquecer de mencionar uma modalidade necessária de arte, a paciência. Corrijo-me, não merece tal notoriedade essa palavra, aliás, nesse sentido Machado é magistral, acertou ele ao comparar a paciência a um asno, “ a um tempo manhoso e teimoso”. Então, revoga-se a condição de arte, estabelece-se a de “asno”, sempre empacando, frise-se."

É bom revisitar velhos escritos, porque podemos identificar neles nossas mudanças e transformações. Aliás, acho triste quando acostumamos a manter sempre o mesmo ponto de vista que na maioria das vezes nem é nosso mesmo. Não se levar muito a sério é outro dos desafios do século XXI, fecha parênteses.

Hoje não vejo como arte, nem como asno... tô mais amena com a paciência... vejo mais como um desafio. Desafio do mundo Maya: Paciência. Viver com paciência na cultura do TUDO PRONTO PARA CONSUMO não é nada fácil, não é nada ZEN. É um exercício de disciplina notar o corpo, a energia e o emocional tensos em função do amanhã, do que desejamos hoje, e do esforço para largar o "pra ontem"... disciplina da meditação, de fazer aparecer na mente aquele espaço de tempo em que eu sou capaz de escolher ficar tranquilo por me sentir integrado na existência que toma conta de mim ou de me preocupar com as contas a pagar, os livros que faltam ler, os telefonemas a dar, os prazos a cumprir, as metas a alcançar...

Desafio de perceber que posso parar o tempo e perguntar, no meio do redemoinho, o que estou buscando afinal? E desafio de me dar o tempo necessário para relembrar que a busca não tem fim, e sim de que estar aqui é a própria busca.

Paciência sem que seja confundida com resignação, apenas paciência... Paciência associada com respiração. Paciência... inspira... paciência... expira... paciência. Espera... paciência...calma... paciência...
Xiii, lá vem ela me convencendo aos poucos de torná-la companheira e não mais desafio. Resisto. Ainda falta um tempo... mas simpatizo com a idéia e peço a ela calma. Digo: Ei! peraí, Dona Paciência! Paciência comigo, por hora...

Para ela é muito simples, dá um breve aceno e sai andando, desejando uma boa semana e sussurrando bem baixinho por detrás de um sorrisinho maroto: pa..ci..ên...cia...
Nem me dei conta de que quando ela se foi trouxe pela mão meu velho conhecido e companheiro. Eu estava distraída... O silêncio chegou e sentou ao meu lado sem que o notasse. Agora estamos só nós dois... Shhhhh...