Ontem ao me despedir de um amigo num café, troquei tchaus, desejo de boa semana, e saindo da minha boca, antes que eu pudesse captar e trazer de volta, um sonoro: Paciência!
Isso mesmo desejei Paciência! Ele olhou, e penso que também achou inusitado desejar esse tipo de coisa em uma despedida. Aí eu fiquei com os meus botões..."paciência"... de onde veio essa, Patrícia? hein? hein?
Claro que a primeira coisa que me veio à mente era de que eu estava desejando isso não só pra ele, mas para nós. Deixando o tempo correr e observando meu dia hoje, entendi que era muito pra mim: Paciência...
Esta palavra não parou de retumbar na minha cabeça...Paciência, paciência... Me lembrei de um texto que escrevi, no qual relembrando um de meus livros favoritos, fazia referência ao fabuloso Machado de Assis, me identificando com ele no que diz respeito a este fantástico desafio do século XXI: a paciência...
O que escrevi há uns três anos atrás sobre a paciência hehehehe:
"Por falar em arte, não posso esquecer de mencionar uma modalidade necessária de arte, a paciência. Corrijo-me, não merece tal notoriedade essa palavra, aliás, nesse sentido Machado é magistral, acertou ele ao comparar a paciência a um asno, “ a um tempo manhoso e teimoso”. Então, revoga-se a condição de arte, estabelece-se a de “asno”, sempre empacando, frise-se."
É bom revisitar velhos escritos, porque podemos identificar neles nossas mudanças e transformações. Aliás, acho triste quando acostumamos a manter sempre o mesmo ponto de vista que na maioria das vezes nem é nosso mesmo. Não se levar muito a sério é outro dos desafios do século XXI, fecha parênteses.
Hoje não vejo como arte, nem como asno... tô mais amena com a paciência... vejo mais como um desafio. Desafio do mundo Maya: Paciência. Viver com paciência na cultura do TUDO PRONTO PARA CONSUMO não é nada fácil, não é nada ZEN. É um exercício de disciplina notar o corpo, a energia e o emocional tensos em função do amanhã, do que desejamos hoje, e do esforço para largar o "pra ontem"... disciplina da meditação, de fazer aparecer na mente aquele espaço de tempo em que eu sou capaz de escolher ficar tranquilo por me sentir integrado na existência que toma conta de mim ou de me preocupar com as contas a pagar, os livros que faltam ler, os telefonemas a dar, os prazos a cumprir, as metas a alcançar...
Desafio de perceber que posso parar o tempo e perguntar, no meio do redemoinho, o que estou buscando afinal? E desafio de me dar o tempo necessário para relembrar que a busca não tem fim, e sim de que estar aqui é a própria busca.
Paciência sem que seja confundida com resignação, apenas paciência... Paciência associada com respiração. Paciência... inspira... paciência... expira... paciência. Espera... paciência...calma... paciência...
Xiii, lá vem ela me convencendo aos poucos de torná-la companheira e não mais desafio. Resisto. Ainda falta um tempo... mas simpatizo com a idéia e peço a ela calma. Digo: Ei! peraí, Dona Paciência! Paciência comigo, por hora...
Para ela é muito simples, dá um breve aceno e sai andando, desejando uma boa semana e sussurrando bem baixinho por detrás de um sorrisinho maroto: pa..ci..ên...cia...
Nem me dei conta de que quando ela se foi trouxe pela mão meu velho conhecido e companheiro. Eu estava distraída... O silêncio chegou e sentou ao meu lado sem que o notasse. Agora estamos só nós dois... Shhhhh...