
Hoje eu quero encontrar uma música, uma peça, qualquer coisa que me dê alento, uma energia vinda sei lá de onde, alguma sensação arrebatadora que desanuvie o tédio. Uma nota, um perfume, uma letra, uma palavra: Grandiosidade. Palavras grandes soam melhor do que qualquer palavra. Não grandes em sua extensão, mas enormes em significado, em conteúdo, fluência. Escrever sempre foi uma catarse.
Grandes palavras, sensações maiores ainda, êxtase, inebriantes palavras eufóricas, palavras tudo. TUDO que o homem não consegue dizer sentindo, não consegue dizer vivendo, não consegue dizer sonhando, toda palavra trancada na boca, no coração, nos olhos, nas mãos, no corpo. Palavras boas, fartas, abundantes, que por si só já valem uma frase, um parágrafo, um livro. GRATIDÃO. DOÇURA. BONDADE. AMABILIDADE. SIMPATIA. CORAGEM.ENTREGA. DESIDERATO. Palavras curtas complexas: AMOR, PAZ, LUTA, VIDA, UM, FÉ, DEUS, HOMEM, MULHER.
Palavras que ordenam os pensamentos ou os deixam confusos, palavras que cantam ou gritam, palavras que dizem ou mandam, palavras que cuidam ou maltratam, palavras, palavras, palavras, palavras, expressão que nos difere dos animais ou nos aproxima deles. Bem usadas, mal usadas. Palavras, raciocínio, encontram seu limite no coração. Frustram-se quando tentam explicar o inexplicável e, por si só, não bastam mais, anulam-se diante do sentimento e morrem sozinhas. Silêncio... Retornam no consolo, na amizade, na temperança, na prece, na preocupação, na impaciência. Palavras, palavras, tenho tantas... Por vezes ajuda certa que não me abandona... me acolhe e me põe para dormir. Alento. Outras vezes confundem, frustram, e insistem em permanecer no lugar em que o vazio quer se instalar. Necessárias, desnecessárias.
Por hora me bastam... Logo, logo restarão insuficientes... Hoje quero as palavras.
Texto de 12/02/2004.

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